Cinco coisas que comprei no mercado de pulgas Vernissage de Yerevan

Cinco coisas que comprei no mercado de pulgas Vernissage de Yerevan

O mercado, primeiro

O Vernissage ocupa uma faixa de terreno aberto entre a Rua Hanrapetutyan e a Galeria Nacional, e funciona em dois registos distintos consoante o dia. Nos dias de semana é mais sossegado — menos bancas, os comerciantes mais sérios, as pessoas que aqui vêm há trinta anos com o mesmo inventário e sem particular interesse em ser simpáticas com isso. Nos fins de semana expande-se: mais vendedores, mais turistas, mais falso cognac Ararat, mais adolescentes a vender joalharia artesanal ao lado dos colecionáveis da era soviética.

Fui num sábado de setembro, que foi a pior escolha para evitar multidões e a melhor escolha para o simples volume de coisas para ver. O mercado não tem mapa, nem diretório, nem disposição imposta. Há secções que se especializam — metalurgia aqui, têxteis ali, pinturas ao longo da parede do fundo — mas as categorias esfumam-se e as melhores descobertas surgem muitas vezes inesperadamente, um único objeto interessante no meio de uma mesa de tralha.

A abordagem de visita que desenvolvi: dar duas voltas. Primeira passagem sem comprar, apenas a mapear o território e a calibrar o que se está a ver. Segunda passagem com intenção. Os vendedores notam as pessoas que regressam, e essa segunda abordagem abre às vezes uma conversa diferente.

Antes de chegarmos aos cinco objetos: o conselho mais importante para o Vernissage é ser cético em relação às reivindicações de autenticidade envolvendo colecionáveis soviéticos. “Original soviético” é uma frase dita com grande confiança por vendedores que nem sempre mentem mas muitas vezes exageram. A melhor política é comprar as coisas que gostas ao preço que pagarias se fossem definitivamente reproduções, e depois ficar agradavelmente surpreendido se não forem.

1. Um pin esmaltado da era soviética

Não fui ao Vernissage à procura de objetos soviéticos — é a categoria que acho mais suscetível à inflação turística — mas a meio da primeira volta encontrei um vendedor que tinha disposto cerca de trezentos pequenos pins esmaltados numa mesa dobrável numa aproximação de ordem. Pins desportivos, pins de fábricas, pins de aniversário de cidades, pins militares, pins dos Jovens Pioneiros, pins dos Jogos Olímpicos de 1980. O preço era entre 500 e 2.000 AMD cada.

Passei vinte minutos a esta mesa. O vendedor, um homem na casa dos sessenta chamado Armen, disse-me num inglês tolerável que tinha andado a colecionar estes desde a década de 1990, quando o material soviético estava a aparecer em todos os mercados da antiga URSS e ninguém sabia bem o que valia. Era específico sobre o que vendia como genuíno: apontou para uma pilha de pins num pano separado e disse “estes são novos,” com um gesto que deixava claro que os achava deploráveis.

Comprei um pin da República Socialista Soviética Arménia de 1974 — uma representação estilizada do Monte Ararat em esmalte azul sobre fundo creme — por 1.500 AMD. Se é original ou uma reprodução dos anos 1990, genuinamente não sei. Gosto dele, e 1.500 AMD são cerca de 3,50 EUR.

2. Um tapete arménio tecido à mão

Esta é a compra sobre a qual sou mais cuidadoso ao descrever, porque a situação dos tapetes no Vernissage é complicada. O mercado tem muitos vendedores de têxteis, e os tapetes expostos variam de peças genuinamente tecidas à mão que demoraram meses a fazer, a artigos tecidos em fábrica que são perfeitamente funcionais mas não o que parecem ser, a produtos sintéticos de máquina com um motivo arménio impresso.

Não sou especialista em tapetes. Fui ao Vernissage com um propósito específico: um pequeno passadeiro para um corredor, algo com padrões geométricos arménios, tecido à mão se possível, não caro. Passei cerca de quarenta e cinco minutos a ver o que estava disponível e a falar com três vendedores diferentes.

O que comprei foi de uma mulher chamada Mariam que tinha quatro ou cinco pequenos passadeiros estendidos sobre uma mesa coberta de plástico. Disse-me que os fazia ela própria, na sua oficina em Vanadzor, usando um padrão geométrico tradicional cazaque-arménio. A densidade dos nós parecia consistente com trabalho manual em vez de máquina; o verso mostrava nós individuais em vez de suporte em laçada. Pedia 45.000 AMD. Ficámos nos 35.000 AMD (cerca de 85 EUR).

Para compras sérias de tapetes — verdadeiros tapetes arménios com proveniência — o Vernissage não é o lugar certo. A Megerian Carpet Factory e a Yerevan Carpet têm ambas showrooms na cidade com peças tradicionais autenticadas a preços transparentes. O Vernissage é para compras de confiança média no intervalo de 20.000 a 60.000 AMD onde a história importa tanto quanto o certificado.

3. Um bule de café de latão antigo

Na secção de metalurgia, para o fundo do mercado, há vários vendedores especializados em objetos antigos de latão e cobre. O inventário é eclético: samovares, serviços de café, tabuleiros gravados, castiçais antigos, tigelas decorativas com escrita arménia, e uma variedade de objetos cuja função original não é imediatamente óbvia.

Estava a olhar para uma pilha de pequenos tabuleiros quando notei, meio enterrado debaixo de um monte de talheres soviéticos, um bule de café de latão da variedade arménia de cabo comprido — do tipo usado para fazer soorj (café arménio) em areia ou diretamente sobre o lume. Estava amolgado, enegrecido e obviamente velho. A pátina no cabo era do tipo que leva décadas a desenvolver.

O vendedor, um homem idoso que não falava inglês, indicou um preço de 8.000 AMD quando o levantei. Achei que já era razoável. Disse “gner e?” — uma das cinco frases arménias que tinha adquirido — e ele riu e disse 7.000 AMD. Paguei 7.500 AMD como divisão da diferença, o que pareceu deixá-lo satisfeito.

O bule precisou de limpeza, o que demorou cerca de uma hora com polish de latão. Agora funciona perfeitamente e faz café excelente. É a coisa mais útil que comprei na Arménia.

4. Uma garrafa de vinho Areni Noir

Esta requer uma breve ressalva sobre a questão do cognac, porque é adjacente. O Vernissage é famoso — no sentido negativo — pelo falso Ararat. O brandy vendido em garrafas sem rótulo ou em garrafas de marca reutilizadas no mercado é frequentemente adulterado ou simplesmente não é o que o rótulo diz. A nota no CLAUDE.md sobre armadilhas turísticas diz-o diretamente: compra o brandy Ararat na Yerevan Brandy Company ou nos supermercados, não no Vernissage.

O vinho é um pouco diferente. Os produtores de vinho doméstico vendem no mercado, e uma garrafa de vinho com um rótulo de adega reconhecível e vedação intacta é o que diz ser. Comprei uma garrafa de Hin Areni Areni Noir — um vinho de vinhedo único da região de Vayots Dzor, um dos nomes mais respeitados no vinho natural arménio — de um vendedor que tinha uma pequena seleção de garrafas e sabia discutir os vinhedos.

O preço foi de 4.500 AMD, o que é razoável para uma garrafa desta qualidade. O vinho em si: tinto escuro, tânico, com o carácter específico de fruta seca que o Areni Noir desenvolve nos vinhedos de altitude acima da aldeia de Areni. Bebi-o nessa noite no meu quarto de hotel com um prato de queijo comprado no mercado GUM, o que foi um fim satisfatório a um dia de caminhada pelo mercado.

5. Uma faca forjada à mão

A faca não estava planeada. Dobrei uma esquina na secção de metalurgia e encontrei um vendedor que tinha uma placa de madeira coberta de facas — não as facas decorativas ornamentadas das lojas turísticas, mas facas de trabalho simples do tipo que um pastor ou cozinheiro usaria realmente. As lâminas tinham comprimentos e acabamentos diferentes. Os cabos eram de madeira, osso ou chifre.

Peguei numa faca de cozinha de tamanho médio com cabo de chifre e testei o fio — coisa que o vendedor me deixou fazer sem comentários, o que sugeria confiança no seu produto. O aço estava devidamente temperado; o fio estava afiado. Disse, em arménio-inglês com sotaque russo, “o meu filho faz-as.” A oficina, indicou, estava algures no mercado. Não estava errado sobre a qualidade.

Paguei 9.000 AMD. A faca tem estado na minha cozinha durante vários anos e mantém um fio melhor do que coisas que comprei em lojas de departamento alemãs a dez vezes o preço.

Sobre a questão do cognac

Disse na introdução que ia ser honesto sobre as falsificações, e a situação do cognac no Vernissage é o aviso específico mais importante que posso dar. A tradição de brandy arménio — feito das mesmas castas de uva Areni, envelhecido em carvalho no mesmo clima que produz o perfil de sabor do Cognac francês — é uma das coisas genuinamente excelentes que a Arménia tem para oferecer. A Yerevan Brandy Company, fundada em 1887, produz Ararat cognac de qualidade genuína a vários níveis de envelhecimento.

O que encontrarás no Vernissage são pessoas a vender o que é apresentado como Ararat cognac em garrafas sem rótulo, ou em garrafas de marca reutilizadas com novos rótulos, a preços mais baixos do que o preço oficial de retalho. Parte disto é produto genuíno comprado a granel e decantado (por vezes plausível). Mais é espírito adulterado com corantes e aromatizantes, ou produto diretamente falsificado. A confiança do vendedor não é guia de autenticidade.

A solução é simples: compra brandy arménio na Yerevan Brandy Company (Av. Tigran Mets 2, Yerevan — o edifício é bonito e o tour à fábrica vale a pena fazer), em lojas com a marca Ararat, ou nos supermercados SAS ou Yerevan City. A diferença de preço face ao Vernissage é modesta, a autenticidade é garantida, e podes bebê-lo sem te perguntares.

O mesmo princípio aplica-se, com menos força, ao vinho arménio. Vinhos com rótulos intactos, tampas seladas e nomes de produtores reconhecíveis são o que dizem ser. Vinho em garrafas sem rótulo “da vinha do meu irmão” é uma aposta, embora às vezes bem-sucedida.

O panorama geral

O Vernissage vale a visita mesmo que não compres nada. A densidade de coisas — um século de cultura material arménia, soviética e pré-soviética disposta em mesas dobráveis sob lonas de plástico — é interessante em si mesma. As pinturas ao longo da parede do fundo variam de paisagens tradicionais competentes a trabalho genuinamente excelente. A observação de pessoas é excelente num sábado de manhã.

O limite prático: chega antes das 11h00 se possível. Ao meio-dia em setembro, a densidade de peões atinge o ponto em que a navegação séria se torna difícil. Reserva duas horas, traz dram arménio em pequenas denominações, e não tragas uma mochila grande. Os vendedores estão geralmente dispostos a negociar, mas a abordagem importa — curiosidade e cortesia funcionam melhor do que teatro de regateio.

O mercado está aberto todos os sábados e domingos, durante todo o ano, com alguma presença de vendedores permanentes durante a semana. Fica a uma curta caminhada da Praça da República e é facilmente combinado com a Cascade na mesma manhã, se quiseres passar meio dia nesta parte da cidade.